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23 de outubro de 2011

A alegoria da caverna de Platão e o Discurso do Método de Descartes

Em ambos os textos a questão central é a do conhecimento, em concreto, o problema da educação. Ambos põem em causa o que cada um sabe sobre a realidade. No caso de Platão, os prisioneiros são vítimas e uma ilusão; no caso de Descartes, este reconhece que, afinal, nada sabia – douta ignorância. Num caso temos a ilusão, no outro, temos a ignorância.
Tudo isto nos diz que uma das tarefas da Filosofia é a avaliação e a crítica das nossas representações. A Filosofia vem pôr em causa o que pensamos e o que sabemos. Como também o que pensamos que sabemos, que pode produzir a ilusão e ignorância máximas.
Finalmente, em ambos os textos, propõe-se que cada um adquira um novo conhecimento baseado na sua experiência de contacto com a realidade e com os outros e, também, procurando através de uma análise de si mesmo. Há no interior de si mesmo conhecimentos e disposições que nos permitem ascender a um conhecimento autêntico. Para isso, é fundamental a autonomia do sujeito.
(texto enviado por Raquel Ribeiro - 10º 4, a partir de uma aula de outubro de 2011)

21 de outubro de 2011

Onde está o filósofo na alegoria da caverna?

Na alegoria da caverna de Platão, o prisioneiro recém-libertado e que consegue ascender até à realidade exterior, descobrindo a ilusão e a mentira em que tinham vivido até aqui, decide regressar ao interior da caverna, até junto dos seus antigos companheiros. É evidente que se previa que estes, quando ouvissem o relato do outro, não fossem acreditar e aceitar as suas palavras, antes se rissem, achassem que ele estava maluco e, pudessem até ter uma reação violenta e matá-lo.
Ora, todos nós sabemos que Platão, com este prisioneiro peculiar, pretende evocar a figura do filósofo e, concretamente, o seu mestre Sócrates. Afinal, não fora este também vítima da incompreensão dos seus contemporâneos, os não-filósofos, acabando por ser condenado à morte sob a acusação de querer corromper a juventude? E é também a figura do filósofo que está em causa nesse regresso ao interior da caverna. Com efeito, como se pode justificar que regresse ao interior frio e escuro dum mundo desagradável, um mundo agreste de ilusões e mentiras? Como compreender que o prisioneiro recém-libertado não opte por ficar no seio da realidade acabada de descobrir, uma realidade mais rica, luminosa e colorida, onde se pode viver uma vida melhor e mais autêntica? Como perceber que ele abandone tudo isso e esteja até disposto a ser vítima da zombaria dos outros,a  ser coberto de ridículo e mesmo ver a sua vida ameaçada, senão mesmo morrer às mãos dos seus antigos companheiros? Porque é que está disposto a correr tantos riscos?

Também a resposta a estas perguntas aproxima-nos o seu comportamento da figura do filósofo. Ele está disposto a perder a sua vida, porque o compromisso com a verdade é mais forte. E, sobretudo, mais forte o dever de comunicar a verdade, esclarecer os seus semelhantes, explicar-lhes que existe uma outra realidade, um outro mundo e um caminh que a isso nos pode conduzir. O filósofo, preocupado com a condição humana, tem um dever para com os homens. Em nome desse compromisso está disposto a arriscar a sua vida. É mesmo filósofo!...