Porque no Natal também se estuda e reflete sobre a Filosofia, aqui vai uma foto mais ou menos inspiradora.
Taverna de Atenas
Os deuses da Filosofia também moram na taverna
17 de dezembro de 2011
11 de dezembro de 2011
Cada macaco no seu galho
Numa das minhas aulas em que falava aos alunos sobre a verdade e o discernimento, ilustrei o que estava a dizer com um dito da linguagem quotidiana: "cada macaco no seu galho". A verdade e a busca da verdade obedeceriam a esse lema. A verdade implica discernir, recortar a imagem do confuso amontoado de representações, estabelecer e destacar a nitidez única de cada objeto. Cada macaco no seu galho para superar a confusão, a indistinção. Desse modo obteremos uma representação verdadeira. Mais ou menos. O que procura esse dito? Que não haja dois macacos ou mais num único galho, que estejam, por isso, bem distribuídos, porque possivelmente essa é a melhor maneira de a árvore segurar os macacos e se evitar a confusão que resultaria duma distribuição aleatória dos macacos na árvore. A verdade é também uma maneira de eliminar a confusão. Na altura, reparei que essa era também a melhor maneira de promover a paz entre os macacos. Isso queria dizer, que a verdade era necessária para a paz social, que não podia haver concórdia sem verdade. Ou, dito de outro modo, não há paz entre os homens sem verdade, sem transparência. Se cada macaco estiver no seu galho, sabemos quem é que se pendura nos galhos superiores, quem é que quer ascender na árvore. Assim, evita-se que existam macacos que simulem desinteresse pelos lugares que ocupam, na exata proporção da sua pérfida ambição, espreitando uma oportunidade para, calcando no seu parceiro, elevarem-se nos galhos da árvore ou empurrarem o seu parceiro do lado, distraído com a visão confusa dos macacos amontoados sem regra.
19 de novembro de 2011
Responder em Filosofia
Responder em Filosofia, por exemplo nos testes de Filosofia, é como construir sucessivamente círculos cada vez mais amplos. Assim, o horizonte de cada frase é progressivamente mais amplo. Isso significa que, cada vez mais, vamos mais longe, mas nunca perdemos ou largamos o impulso inicial, a questão de partida. A questão de partida, que motivou o caminho da resposta, nunca é abandonada e vai sendo progressivamente esclarecida. Ao ficar mais clara porque aclarada, ilumina melhor o nosso caminho. Ao mesmo tempo que nos vamos afastando, vamos ficando mais perto, mais aconchegados ao trilho que vai sendo estabelecido, pontuado pelas luzes que vamos acendendo. Ficar simultaneamente longe e perto não é um paradoxo para a reflexão filosófica. Poderia ser para um modo vulgar e comum de pensar. Para a Filosofia esse aparente paradoxo é apenas uma tensão, uma tensão na distância, ou uma distância tensa, que se comprime e distende, mas que nos impulsiona, como a flecha do arco que se comprimiu e distendeu. Responder em Filosofia torna-se uma aventura.
26 de outubro de 2011
A filosofia e as ciências


(a partir de apontamentos das aulas de outubro de 2011, enviados por Raquel Ribeiro - 10º 4)
O valor da Filosofia
Não existe acordo sobre o que é a Filosofia e o seu valor. As várias conceções sobre o que é a Filosofia deviam-nos levar a falar desta no plural: em vez de Filosofia, devíamos falar de filosofias. A Filosofia vai variando de época para época na medida em que tenta responder aos problemas que são postos nessa mesma época. Como as suas respostas nunca são definitivas nem podem ser sujeitas à comprovação experimental, há problemas que são eternos. Fica-se com a ideia e com a impressão de que a Filosofia nada vale. Ao contrário do que se passa nas Ciências em que existe acordo em relação às respostas que fornece e, portanto, progresso no conhecimento. Nós discutimos problemas filosóficos que os gregos já colocavam, mas, a matemática de hoje já foi mais longe do que as conclusões de Pitágoras. Apesar disso, as questões da Filosofia dizem respeito à condição humana e interpelam o Homem no seu íntimo. Podemos dizer, face a isso, que a Filosofia não vale nada?
(a partir de apontamentos de aula de Outubro de 2011, enviados por Raquel Ribeiro, 10º 4)
23 de outubro de 2011
A alegoria da caverna de Platão e o Discurso do Método de Descartes

Tudo isto nos diz que uma das tarefas da Filosofia é a avaliação e a crítica das nossas representações. A Filosofia vem pôr em causa o que pensamos e o que sabemos. Como também o que pensamos que sabemos, que pode produzir a ilusão e ignorância máximas.
Finalmente, em ambos os textos, propõe-se que cada um adquira um novo conhecimento baseado na sua experiência de contacto com a realidade e com os outros e, também, procurando através de uma análise de si mesmo. Há no interior de si mesmo conhecimentos e disposições que nos permitem ascender a um conhecimento autêntico. Para isso, é fundamental a autonomia do sujeito.
(texto enviado por Raquel Ribeiro - 10º 4, a partir de uma aula de outubro de 2011)
(texto enviado por Raquel Ribeiro - 10º 4, a partir de uma aula de outubro de 2011)
21 de outubro de 2011
Onde está o filósofo na alegoria da caverna?
Na alegoria da caverna de Platão, o prisioneiro recém-libertado e que consegue ascender até à realidade exterior, descobrindo a ilusão e a mentira em que tinham vivido até aqui, decide regressar ao interior da caverna, até junto dos seus antigos companheiros. É evidente que se previa que estes, quando ouvissem o relato do outro, não fossem acreditar e aceitar as suas palavras, antes se rissem, achassem que ele estava maluco e, pudessem até ter uma reação violenta e matá-lo.


Também a resposta a estas perguntas aproxima-nos o seu comportamento da figura do filósofo. Ele está disposto a perder a sua vida, porque o compromisso com a verdade é mais forte. E, sobretudo, mais forte o dever de comunicar a verdade, esclarecer os seus semelhantes, explicar-lhes que existe uma outra realidade, um outro mundo e um caminh que a isso nos pode conduzir. O filósofo, preocupado com a condição humana, tem um dever para com os homens. Em nome desse compromisso está disposto a arriscar a sua vida. É mesmo filósofo!...
10 de outubro de 2011
Poderia a Filosofia não ser grega?


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